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"Eu conheço a força dessas mulheres", afirma Celina Leão (PP)

A deputada federal fala sobre os planos para o próximo mandato do governador Ibaneis Rocha e a mobilização das parlamentares em busca do voto feminino na campanha do presidente Jair Bolsonaro no segundo turno da eleição



Os principais desafios do governador Ibaneis Rocha (MDB) para o segundo mandato, a expansão de programas e políticas que já estão sendo desenvolvidos foram temas abordados pela vice-governadora eleita do Distrito Federal, Celina Leão, ao CB Poder — parceria entre Correio e TV Brasília. Está nos planos a retomada da doação de lotes com preços acessíveis. Na entrevista à jornalista Denise Rothenburg, nessa sexta-feira (7/10), a deputada federal pelo PP também falou sobre como atuará na campanha à reeleição do presidente da República, no segundo turno, em busca do apoio feminino. A futura vice-governadora afirmou que Jair Bolsonaro fez muito pelas mulheres nesses quatro anos.


Quais são os principais desafios a partir de 1º de janeiro de 2023?


Acho que nós temos que corresponder à expectativa da população. Nós tivemos uma belíssima vitória. Isso significa a confiança da população de Brasília no governo Ibaneis. É claro que sabemos que precisamos dar mais atenção a algumas áreas, como a saúde — que foi muito prejudicada pela pandemia —, ampliarmos os nossos programas sociais que já existem e melhorarmos também a regularização (de terrenos) — em que também avançamos. Os desafios são enormes, mas nós vamos trabalhar muito. O governador Ibaneis está muito entusiasmado e eu também. Acho que nós vamos fazer um belíssimo governo para a população de Brasília.


Hoje (ontem) cedo, os manifestantes tomaram a BR 070, próximo à área de Sol Nascente (ver reportagem na página 15). Eles não querem a derrubada dos barracos que estão naquela região. Essa questão da ocupação de terras no DF parece que ainda vai ser um desafio grande. O que é possível fazer para atender tanto a população quanto evitar as ocupações irregulares?


Essa era uma área da Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal (Codhab) que está destinada a pessoas com deficiência. Então, quando isso é anunciado, as pessoas têm a certeza de que aquela área será uma área de regularização. Mas existe fila e prioridade. E, nesta área, exclusivamente, serão atendidas cerca de 400 famílias. Então, conseguimos combater a invasão com programas habitacionais definidos para classes específicas. O governador Ibaneis vai retornar também a doação de lotes com preço acessível, porque o programa é bem mais rápido e atende uma grande porção da fila da Codhab. Também estamos em conversa com o governo federal para doação de áreas para demarcação e doação de lotes. Mas deve ser algo organizado. Tem uma fila que precisa ser contemplada. São pessoas que esperam há 20 ou 30 anos. Então, precisamos atender com prioridade. Acredito que tem um pouco de movimento político por conta das eleições, nesse momento. Tem uma ligação ideológica do movimento que ocupou espaço sabendo que essa é uma área que seria destinada para pessoas com deficiência. Acho que você combate isso com a oferta de imóveis para as pessoas que mais precisam.


Serão oferecidos somente lotes ou apartamentos também?

Nós precisamos também lembrar que temos uma lei distrital que destina um percentual de áreas para cooperativas, as quais também precisam ser atendidas, e também atendermos de 5% a 10% de pessoas com deficiência. Então, para dar agilidade na entrega imediata desses lotes, estão sendo estudadas áreas não só aqui do Distrito Federal, mas também da União para podermos retornar esse programa, que foi bem-sucedido na época do governador Roriz.


Se alguém quiser ter um lote ou apartamento como deve fazer, então?

Primeiro tem que estar inscrito na Codhab. É preciso preencher os pré-requisitos. Tem gente que está aguardando, mas não preenche os pré-requisitos para receber o lote. É igual a situação da pessoa que procura um benefício social, que também tem pré-requisitos. Então, o caminho que eu indico é procurar a Codhab e ver como está o seu cadastro, porque esses programas (de regularização e doação), em breve, também serão lançados.


Na vice-governadoria, a senhora vai ocupar alguma secretaria ou ter uma área pela qual ficará responsável?


Estou à disposição do governador Ibaneis. Onde ele achar que posso ajudá-lo, ajudarei. Sou mulher de missão. Quando fiquei à frente do esporte, fiz uma revolução na área. Onde ele entender que posso ajudar, estou à disposição para ouvi-lo e para cumprir missão.


Por falar em cumprir missão, como é que vai ser este segundo turno com o presidente Jair Bolsonaro?


Não posso negar a minha história. Fui oposição em dois governos de esquerda aqui do Distrito Federal quando eu era deputada distrital. A coerência de estar apoiando o presidente Bolsonaro é porque, realmente, ele é o grande opositor da esquerda e, também, pelo que ele fez por nós mulheres. Nos unimos, fizemos uma coordenação de mulheres, são todas deputadas e coordenadoras. Lançamos, no Palácio do Planalto, o 'Mulheres com Bolsonaro'. Todas elas têm um papel fundamental e vão se mobilizar nos seus estados. A primeira dama Michelle (Bolsonaro) com a senadora (eleita) Damares Alves irão visitar os estados. Eu devo participar também, como coordenadora da bancada feminina. Além das deputadas que já estavam conosco na base, nós temos novas deputadas que foram eleitas e que já foram envolvidas nesse processo também. É algo maravilhoso que está acontecendo. Vemos o poder de articulação dessas mulheres no Brasil. Elas já montaram grupos e estão montando os eventos. Amanhã (sábado), nós vamos estar em Goiânia. Na segunda-feira nós vamos estar na região Norte. São as mulheres mobilizando a campanha do presidente Bolsonaro, com a grande estrela da campanha, que é a Michele, uma pessoa que eu tive oportunidade de conhecer um pouco melhor agora e fiquei encantada com o carisma e a simplicidade.


Quais são os outros estados considerados chave para as visitas, principalmente no Nordeste?


O presidente Bolsonaro terá a agenda normal dele. Já para as deputadas, além de participarem dos nossos eventos, irão a todas as capitais, e também irão participar da agenda oficial do presidente Bolsonaro. Então, terá um momento com as deputadas e com a coordenação feminina. Nós estamos em atividade frenética no Brasil. É incrível como elas estão mobilizadas. Em Goiânia, nós temos quatro eventos. Na segunda-feira e terça-feira, nós vamos para a região Norte, visitar os cinco estados. Nós queremos dialogar com todos, demonstrando que o nosso governo é um governo de resultados e que faz muito. Talvez não tenhamos conseguido demonstrar o que foi feito pelas mulheres do Brasil. Por exemplo, a titularização das terras — 90% das titularizações das terras são em nome de mulheres e nunca se titularizou tantas terras do Brasil como agora. O Auxílio Brasil, o qual 70% é entregue na mão de mulheres. O Caixa para Elas, que é o maior programa de microcrédito para mulheres do Brasil. Inclusive, mulheres que recebem Bolsa Família podem buscar o microcrédito para serem autônomas e montar seu pequeno negócio. (São) 78 leis sancionadas para as mulheres. Acho que isso não foi comunicado devidamente.


Vimos, mais cedo, no horário eleitoral do ex-presidente Lula, imagens que mostram o presidente Jair Bolsonaro, na época em que ele era deputado, atacando a deputada Maria do Rosário, numa discussão no salão verde da Câmara dos Deputados. Como convencer as pessoas de que o presidente não é essa pessoa?


Eu acredito que sim. Há gestos do Bolsonaro pelas mulheres do Brasil, com ações que prestigiam as mulheres, tirando-as de uma situação de miséria eterna. Quando perdoa as dívidas do Prouni, ele faz com que aquelas mulheres que nunca acessariam a universidade, ou que acessaram, mas não pagariam, consigam pagar. Acho que as ações falam mais do que momentos que aconteceram. E se nós formos pensar por esse lado, eu fui quase atacada por deputados do PT. O cara bateu a mão na minha mesa, aquele deputado era o líder do PT na Câmara. São momentos que acontecem na Câmara. Será que o deputado que bateu a mão na mesa é misógino? Será que ele é contra as mulheres? Será que ele é machista? São momentos que acontecem na Câmara e é claro que a campanha está tentando usar, porque houve uma reação. A maioria da bancada feminina é das deputadas mais alinhadas ao presidente Bolsonaro e ele fez a maioria na Câmara também. Acho que a tentativa de resgatar alguns momentos ruins será combatida pelo que ele fez pelas mulheres do Brasil.


A senhora falou da primeira-dama, Michelle Bolsonaro. Ela certamente será muito importante neste segundo turno. O que que ela pode trazer?


As agendas estão sendo coordenadas pelas deputadas. Na região Norte vamos visitar uma aldeia indígena, com a deputada indígena que foi eleita, da base de Bolsonaro. Nós vamos fazer uma visita à aldeia com a primeira dama. É uma agenda bem eclética mesmo, em que nós vamos juntar vereadores e deputados, que não nos apoiaram no primeiro turno, mas que querem caminhar conosco. É impressionante quando você liga e fala: 'A primeira dama precisa de você'. Acho que o poder da mobilização das mulheres tomou uma proporção que, realmente, me impressionou. Eu sabia que daria certo, porque eu conheço a força dessas mulheres na Câmara Federal, trabalho com elas. Tanto que nós vamos ter que nos dividir. Nós temos também a deputada Bia Kicis (PL-DF), que está nos ajudando na coordenação, assim como a deputada Carla Zambelli. Mas temos deputadas como a Silvia Cristina, deputada negra, do Norte, demonstrando também que temos todo um conceito de diversidade e de mulheres.


Como vai ficar o orçamento, que é o projeto mais importante que o Congresso tem pra votar até o final do ano? Como vão ficar os recursos aqui para o Distrito Federal?


O governador Ibaneis deve fazer um convite aos deputados e senadores. Eu fiz questão de ligar para a senadora Leila (Barros) e para o senador Izalci (Lucas) um dia ou dois depois da eleição. E me coloquei à disposição, porque nós precisamos dos dois senadores. Eles têm compromisso com o Distrito Federal. Nós temos um caderno de emendas que foi confeccionado agora pelo secretário de Economia, Itamar Feitosa, para apresentar para a bancada. Porque quando há um caderno já tem um projeto pronto. Às vezes, o deputado coloca o recurso, mas não tem o projeto, e perde a emenda. Nós devemos fazer essa conversa com os deputados federais que estão no mandato. Eles, geralmente, sempre nos atendem em muitos dos pedidos do Governo do Distrito Federal. Por exemplo, a Casa da Mulher Brasileira, o Caminho das Escolas e várias obras que estão aqui no Distrito Federal são de emendas coletivas da bancada federal. Devemos fazer esse almoço assim que o governador Ibaneis voltar. Semana que vem ele vai estar em São Paulo com os deputados federais para conversar com eles.


Quais são as prioridades dentro desse orçamento?


Nós temos a construção de três novos hospitais. Então, nós temos pedidos para emendas maiores, como hospitais, e para construção de alguns viadutos também, a fim de desafogar o trânsito. São emendas mais pesadas de R$ 40 milhões a 50 milhões. Também queremos dar continuidade ao Caminho das Escolas. Geralmente, os deputados sempre fazem questão de colocar recursos nessas grandes obras. Acho que nós vamos conseguir algum recurso mais volumoso para essas áreas que são tão necessitadas.


Por falar em deputados federais, a deputada Flávia Arruda é a presidente do PL no DF, neste momento, perdeu eleição para o Senado. Ela terá espaço num governo Ibaneis Rocha?


A Flávia foi parceira do governo Ibaneis. Então, assim eu não vejo nenhum impedimento para que ela participe do governo Ibaneis. Acho que tudo na política é construção. Foi importante, então, não vejo nenhuma dificuldade.


Em fevereiro do ano que vem, também temos eleições para a presidência da Câmara Legislativa, Câmara dos Deputados e Senado Federal. Como fica a disputa pela Câmara Legislativa?


Acho que as conversas vão sempre acontecer. O governador Ibaneis disse que vai começar a fazer transição só em novembro, mas que fará grandes mudanças no governo. Ele vai medir as forças políticas, porque é um governo de consenso e de construção. Nós temos a maioria na Câmara Distrital. Acho que precisamos nos reunir, para ouvirmos os deputados, os nomes que vão ser colocados que querem se candidatar à presidência da Câmara e fazer uma construção junto com o governador Ibaneis. Faz parte do jogo da política.


Fonte: Correio Braziliense

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