Deputada Celina Leão avalia 5 maiores erros do governo Rollemberg

Catarina Barroso e Edson Crisóstomo

A deputada em entrevista a 61 Brasília enumera quais foram os maiores erros que o atual governador cometeu na gestão da capital. Também trata de assuntos como participação da mulher na política, combate à violência contra mulher, juventude e greve dos caminhoneiros.

Quanto às eleições a deputada acredita que Rollemberg pode até chegar ao segundo turno, mas que terá um índice pior que o de Agnelo, e completa que as eleições ficarão entre Jofran Frejat e um candidato da direita.

MULHER

61 BRASÍLIA (61): Como pretende desenvolver a temática do empoderamento feminino, da luta da mulher, no meio social e também político?

CELINA LEÃO (CL): Acho que a primeira coisa que temos que começar a discutir com as mulheres, é que elas devem começar a ter um olhar sem preconceitos sobre outras mulheres, então temos que quebrar essas barreiras, que vem de um país patriarcal e machista, isso é um processo. Muitas mulheres que estão no parlamento não se veem na representatividade feminina, e disputam com outras mulheres, o que é um absurdo porque devemos incentivar umas às outras.

Nesse momento de fortalecimento de políticas voltadas as mulheres precisamos entender que mulheres não são mais só cotas, mas devem participar ativamente da política. Temos discutido isso com muita profundidade na procuradoria da mulher, principalmente tratando sobre o tema da violência, porque apesar de morarmos na capital do Brasil, os índices de Brasília ainda são muito ruins.

Temos uma vara judicial que é exemplo, conduzida pelo Dr Bem-Hur, mas ainda temos muitos registros de crescimento desse tipo de crime do DF, sendo o 8º lugar de violência no Brasil, não poderíamos ter índice como esse. Na procuradoria da mulher tenho tido a oportunidade de enfrentar esse novo desafio que é discutir essa temática.

Quando abrimos as campanhas, conseguimos que a CLDF abraçasse essa luta contra a violência doméstica, e atraímos muitas mulheres que queriam denunciar na Câmara essas violências, e mesmo cada órgão desempenhando seu próprio papel nesse combate a violência, essa abertura da câmara foi fundamental.

Nosso objetivo na procuradoria é fazer uma política pública dentro e fora da câmara no formato institucional, ou seja, todos os projetos foram feitos através de projetos de resolução, como a semana legislativa da mulher, que aborda durante uma semana palestras, elaboração e votação de projetos relacionados a temática da mulher, dando visibilidade para as mulheres, e trabalhando nessa conscientização.

61: O Partido Progressista conseguirá atingir o número de mulheres candidatas?

CL: Acredito que sim, nós temos 2 configurações: local e nacional. Na local temos 25 mulheres que são pré-candidatas no partido, de 61 pré-candidatos que estão trabalhando muito para passar na convenção. Todas essas mulheres têm trabalhado muito, marcando agendas, fazendo reuniões, para possibilidade de uma legenda. Há inclusive uma possibilidade de elegermos uma deputada mulher. No nacional a deputada Iracema Portela, nossa presidente, tem trabalhado muito e acompanhou inclusive a votação do STF em que 30% do fundo partidário terá que ser gasto pelas mulheres, para que tenhamos uma bancada federal maior que a de hoje. Hoje somos 5 distritais mulheres, e a ideia é aumentar cada vez mais.

61: Como Procuradora Especial da Mulher, tem alguma ideia de proposta para alavancar a participação feminina?

CL: Primeiro devemos convidar as mulheres para participar da política, quando se começa a convidá-las é incrível a vontade que elas têm de ajudar. Elas percebem o próprio poder e começam a se posicionar. Temos alguns exemplos de projetos piloto que tem dado muito certo, como o Caminhos das Flores, em à delegacia realiza um atendimento especializado para mulher, que os agentes recebem um treinamento diferenciado, e que as mulheres da comunidade são convidadas para participar. Participei de um workshop com elas e vi como são motivadas. E esse trabalho não é só mais repressivo, e sim preventivo em conjunto com as mulheres da comunidade. São feitos grupos de debate e palestras, e o objetivo é multiplicar, e as mulheres têm se organizado no DF.

61: Porque acha que a participação feminina na política é tão baixa?

CL: É um problema social, em que o homem acha que a função da mulher é cuidar dos filhos e da casa. A mulher que trabalha fora já tem duas ou três cargas de trabalho. Temos que discutir essa temática, a responsabilidade de cuidar dos filhos é de ambos, quando a mulher sai de casa para buscar seu caminho profissional abre mão de participar de movimentos sociais, por falta de tempo. Então se o trabalho fosse dividido de forma igualitária isso seria possível, e por mais que já esteja acontecendo ainda não é a regra.

JOVENS

61: Qual importância do esporte nas escolas?

CL: O esporte pode transformar o mundo, o Nelson Mandela já falava isso, e pode mesmo porque tem o poder de agregar os jovens numa corrente do bem. O jovem que começa a praticar esportes, se ele está no tráfico ou nas drogas ele começa a receber disciplina, hierarquia. É necessário o esporte para ter uma postura de vida saudável. O esporte traz uma disciplina, exemplos para serem seguidos, de superação, vitória e famílias que foram transformadas pelo esporte, então acredito é necessário investir na área.

As crianças que ficam nas ruas no turno em que não estão na escola poderiam estar praticando esporte e recebendo uma carga de qualificação positiva. Quando vamos as escolas públicas do DF vemos que muitas não têm quadra coberta ou estão estragadas, por isso disponibilizamos quase que 8 milhões de emendas para investimentos nas escolas que vemos como algo super positivo.

61: Além do esporte, tem alguma outra política voltada para juventude?

CL: Quando comecei o mandato fui secretaria da juventude e sempre lutei para que o jovem participe da política, mas agora tem me sido cobrada um pouco mais de responsabilidade nos temas mais diversos, ainda mais estando a dois mandatos na oposição, então sempre tentamos brigar e lutar por outros temas que são muito necessários para sociedade. Ainda queremos a participação da juventude, mas acabamos sendo incumbidos, até por conta dos últimos dois governos incompetentes que tivemos, de tratar denúncias e cuidar do caos que está a cidade, devido ao grande número de casos que chegam ao nosso gabinete.

GREVE DOS CAMINHONEIROS

61: Acha que a forma que o governo tem lidado com a situação dos caminhoneiros tem sido eficaz?

CL: Acho que o governo não acreditou que os caminhoneiros iriam parar da forma que aconteceu. Nós estamos acompanhando essa mobilização antes de acontecer de fato, buscamos o Congresso, avisamos que o Brasil iria parar. Estivemos em diálogo com os caminhoneiros para atender demandas de compra de equipamentos obrigatórios e eles já possuíam a pauta da demanda de combustível. Essa greve demonstra a força do caminhoneiro e de como o Brasil é dependente do caminhão, nosso Brasil precisa investir em trilhos e no sistema de mobilidade.

O poder público espera chegar o caos para tomar algumas atitudes. Esse benefício, válido por 60 dias, não vai atingir a população todas, atinge só quem consome o óleo diesel, e 95% da população consome o álcool e a gasolina. O brasileiro tinha uma expectativa de ter uma redução do gasto com o combustível. Deve-se ter uma intervenção corajosa do governo, que ninguém tem no Brasil, de tomar atitudes. A decisão do governo foi tímida e em cima da hora por não ter atingido a população e precisamos ter um acompanhamento melhor da situação, porque ninguém consegue mais de abastecer.

61: Acha que essa greve poderia ter sido evitada ou contornada?

CL: Não sei se daria para evitar, mas se houvesse uma ação mais rápida no começo da mobilização poderia ter evitado um constrangimento e a perda financeira de diversos produtores, então poderia ter sido evitada no formato em que foi.

61: A redução do ICMS seria efetiva para a população no geral?

CL: Essa proposta é local, o imposto hoje é de 28% sobre o combustível, então propus que o DF abrisse mão de 14% do ICMS, mas essa medida por si só não garantiria que o combustível chegasse mais barato aos brasilienses, porque Brasília ainda tem dificuldades de padronização de preços por exemplo. Mas acho que poderia abaixar o ICMS para 14% e também congelar o lucro das empresas, o que iria garantir uma queda real no bolso do contribuinte brasiliense.

POLÍTICA

61: Como o Progressista pensa em motivar as pessoas para contribuírem para as campanhas políticas, uma vez que não vai ter mais doação de empresas?

CL: Isso varia de candidato em candidato, como você vai chamar essas pessoas para contribuir, eu vou aderir, por exemplo, a vaquinha virtual, é um meio legal que se pode fazer, inclusive controlado pelo Tribunal Regional Eleitoral. Como proibiram a arrecadação,  essa é uma forma de financiamento, e se cada um puder ajudar com um, dois, cinco reais vai se conseguir colocar no poder pessoas que nunca conseguiriam, através desse instrumento, basta que a população acredite neles.

61: Caso tenha segundo turno de eleições acha que estará polarizado na direita, centro ou esquerda?

CL: Acho que será Jofran Frejat e a direita.

61: Quando você diz Jofran e alguém da direita então acredita que o Rollemberg não estará na disputa?

CL: Rollemberg vai ter uma decepção tão grande que sairá pior que o Agnelo no passado. Acho que ele pode até chegar ao terceiro lugar, mas será em classificação ainda pior que a do Agnelo.

61: Quais foram os cinco piores erros do Rollemberg nesses três anos e meio de gestão?

CL: Primeiro ele não tem coragem de tomar decisão, um governador que senta naquela cadeira tem que tomar decisões. Ele fica adiando e quando vê o tempo passou, ainda mais na política que é tudo muito burocrático, então se o tempo passa quando vai se pensar no planejamento já acabou o mandato.

Segundo, ele foi muito centralizador, passou quase um ano centralizando tudo, no modelo inverso da desburocratização que é descentralizar para o estado andar.

Terceiro, escolheu muito mal a equipe, com muita gente inexperiente que nunca tinha feito absolutamente nada na vida. Também deixou muita gente do governo do PT, se a população já tinha dado o cartão vermelho para o PT voltar para casa, se ele continua o governo e absorve essas pessoas ele absorve também os problemas que já existiam, como o transporte e saúde, ele conseguiu piorar o que já estava ruim.

O quarto é que o Rodrigo não tem palavra, ele mente, e não aceita ninguém crescer mais que ele, não é um mandato coletivo, qualquer pessoa que desenvolva mais o trabalho ele tem ciúmes. Ele brigou com seu vice-governador, alguns secretários de estado, com a classe política, com a população. O Agnelo ainda tinha algumas pessoas que gostavam, mas o Rodrigo conseguiu ser unanimidade em tudo, por isso tenho certeza que ele vai se sair pior que o Agnelo nas eleições. Ele não tem o voto das pessoas que precisam de um governo, não tem o voto da população classe A, não tem o voto do servidor público.

O último registro é que ele brigou com o servidor público com uma agressividade desnecessária, não sei por quem foi instruído. Chegou a gastar dinheiro público para falar que o servidor público era só 7% da população e gastava um grande orçamento, chamando a comunidade contra o servidor, o que é um absurdo. Ele enviou tantos projetos negativos para Câmara contra o servidor público, e nenhum deles que tinham impacto financeiro, era algo perverso. Quando eu estava na presidência eu simplesmente mandava devolver para ele, nem discutia no Plenário, ele mandou para Câmara um decreto antigreve, que não se poderia fazer mais greve, mandou projeto para classificar o servidor de 1 a 7, e quem não fosse bem classificado seria mandado embora pelo bem do serviço público, mas se essa fosse a regra ele teria sido mandado embora no ano passado, e quem faria essa avaliação seria o chefe imediato, que geralmente é um cargo comissionado, ou seja, seria um assédio generalizado. O servidor público nunca foi tão assediado como nesse governo.

61: Como está construindo esse novo olhar mais voltado para a população no geral?

CL: Quando perguntam para as pessoas “o que acha da deputada Celina Leão?”, elas costumam listar coragem como minha primeira característica, então acho que essa experiência de ir em um lugar, ver um problema e falar “eu vou resolver”, sabendo das limitações como parlamentar, mas buscar a solução até o final, traz um amadurecimento e um reconhecimento da população.

Nosso gabinete as vezes é o último lugar onde a pessoa vai buscar a última esperança, porque não conseguiu em lugar nenhum, então me sinto muito responsável por tudo isso, pelas pessoas que buscam nosso gabinete querendo tem uma solução em determinadas coisas, nosso gabinete está sempre cheio de gente, de demandas de servidores, classes e população, de pessoas que não tem quem os represente.

Por exemplo, quando começou a falta de água, o governador, para não assumir a incompetência do que ele tinha feito, começou a derrubar casa de agricultores em Brazlândia. Os agricultores estavam desesperados e me chamaram, quando cheguei o absurdo era tão grande que ele estava derrubando casa de quem tinha o registro do Incra. Ele queria dar uma satisfação para a população que a água estava acabando, mas aqueles agricultores estavam lá há 40 anos, em uma área de preservação. Na época fizemos uma intervenção muito pesada, filmamos, mostramos documentos, fomos para as ruas, entramos com advogado e aquilo cessou. Então a população sabe que seu direito foi defendido por um gabinete, uma parlamentar, e esse é um exemplo pequeno.

Um governo quando é muito arbitrário, muito pesado, para tirar sua responsabilidade da questão sacrifica qualquer um, e isso vimos muito na Câmara, foi muito doloroso ver como o Rodrigo tratou a população do DF.

As pessoas me perguntam “quem vai concorrer com o Jofran?” eu respondo o Rollemberg, e as pessoas se chocam “mas ele vai ter coragem de ser candidato?”, essa é a grande pergunta da população, eles não estão acreditando, parece até piada de mau gosto. Pelo menos três vezes por semana escuto isso, as pessoas não acreditam que ele será candidato.

Fonte: 61 Brasília

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